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O NOME CELTA | PORQUÊ?

Parte do que somos vem inquestionavelmente da nossa herança. Numa época sem valores, onde quase que nos obrigam a esquecer as nossas raízes, é nosso dever homenagear aqueles que nos antecederam. Ao olhar para o nosso passado teriamos óbviamente muitas possibilidades de escolha. Mas optámos por eleger o povo e a cultura Celta.

Povo ousado e corajoso, mas também inovador e leal, os Celtas manifestavam já uma convivência em sociedade muito evoluída. Na sua época dominaram a Europa e conseguiram influenciar com a sua cultura todos povos residentes. Até as razões que levaram ao seu desaparecimento merecem ser lembradas e admiradas.

Como sabemos, o povo Celta já não existe, mas acreditamos que ainda existem muitos “Celtas” entre nós, mas que estão propositadamente anestesiados e intoxicados por uma sociedade que gosta de sufocar. Aqui fica por isso esta simples homenagem a este povo que marcou a história da Europa durante vários séculos.


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Características da sociedade Celta
Organizada por famílias aparentadas que partilhavam a terra, ainda que lhes fosse reconhecido o direito à propriedade individual, nomeadamente pela posse do gado que apascentavam, a sociedade Celta era uma sociedade bem estruturada: no topo da hierarquia estava o rei, seguido da nobreza, homens livres, artesões, servos, refugiados e escravos. Davam grande importância à religião, cuja mensagem era espalhada através dos druídas. Estes possuíam grande influência em toda a comunidade e, como aconteceria em muitas sociedades, eram os elementos mais cultos e os responsáveis por transmitir a cultura Celta aos vindouros.

Os Celtas atribuíam grande relevância à mulher. Consideravam as mulheres a parte essencial na criação, podendo ela própria escolher o seu destino que tanto poderia ser de mulher guerreira ou de mulher casada, cabendo a ela própria a escolha do seu parceiro. Se a escolha recaía sobre o casamento, a mulher levava todos os seus bens para a nova casa, acontecendo que se estes fossem superiores aos do marido, seria ela o chefe do casal. A sociedade Celta tinha uma concepção muito evoluída do casamento, que era contraído por amor, podendo ser interrompido já que existia o divórcio. É curioso o facto dos Celtas darem grande importância à menstruação feminina. A palavra “Dergflaith”, que significa “soberania vermelha”, era uma das designações Celtas para a menstruação já que, para eles, o vermelho representava soberania, poder, vida. Por fim, é de referir que a divindade máxima era a Deusa Mãe, em estreita relação com a Mãe Terra.




POVO CELTA | HISTÓRIA



A primeira referência escrita aos Celtas é feita no século VI a.C. pelo historiador grego Hecateu de Mileto. A origem deste povo está envolta em controvérsia, já que existem algumas dúvidas sobre as fontes que chegaram até nós.

Com alguma certeza e segundo os estudos efectuados por Daniel Bradley do Trinity Colleg of Dublin, pode-se dizer que a partir do século VI a.C. as tribos Celtas invadiram a Europa Central e a Península Ibérica. Pensa-se que esta invasão possa ter sido causada por alguma uma mudança climática, tendo as tribos Celtas sido forçadas a procurar climas mais amenos.

Rápidamente as tribos Celtas começaram a impor o seu domínio, básicamente porque dominavam a arte metalurgica. Com ela, as tribos Celtas foram capazes de desenvolver espadas e escudos eficazes para a época. Aliado à supremacia tecnológica, as tribos Celtas lutavam com ferocidade. Normalmente combatiam nús e avançavam sobre o inimigo a pé, gritando, causando grande impacto nos oponentes.

Os Celtas expandem-se por toda a Europa porque, ou precisavam de encontrar novas minas de ferro que lhes permitisse continuar a suprir as necessidades existentes, ou porque determinada tribo crescia e era necessário dividi-la. Neste caso a nova tribo teria que procurar outro sítio para se instalar.

A verdade é que até praticamente ao século II a.C. a Europa Central, a Península Ibérica e as ilhas britânicas estavam povoadas por tribos Celtas. Muitas das grandes tribos Celtas deixaram forte herança em alguns povos europeus. Regiões como o País de Gales, a Cornualha, a Gália (França), Galiza e Norte de Portugal, possuem ainda hoje fortes vestígios da cultura Celta.

O Fim

Apesar da sua grande implantação geográfica, os Celtas nunca formaram um império básicamente porque viviam como tribos independentes. Apesar de relativamente organizados no âmbito das próprias tribos, a falta de um governo central revelou-se fatal para as tribos Celtas, quando confrontadas com sociedades mais organizadas.
A partir do século II a.C., os Celtas são atacados quer pelos povos de língua germânica, quer pelos romanos. Aos poucos foram sendo dominados e nem Vercingetorix, um Celta Gaulês que durante um ano enfrentou Júlio César com um exército regular escolhido entre as vários tribos Celta, conseguiu fazer alterar o percurso da história. Assim, primeiro com Júlio César que conquista definitivamente a Gália e depois com Cláudio que no século I d.C. domina a Bretanha, os Celtas são definitivamente integrados nos grupos conquistadores.

Ficam apenas tribos Celtas na Irlanda e norte da Escócia que pelo seu isolamento ficaram protegidas das invasões romanas.


Os Celtas em Portugal

Apesar de pouco divulgada a influência Celta em Portugal é muito grande.
As teorias apontam o ano 900 a.C. para a chegada à Península Ibéria das primeiras tribos Celtas. A mistura com as culturas locais deu origem aos Celtaibéros (ou Celtiberos), sendo por exemplo os Lusitanos o seu povo mais conhecido entre nós.
Os Celtas habitaram muitas localidades às quais atribuiram nomes: Brigantia é Bragança, Bracara é Braga, Pendraganum é Pedrógão e Cambra é Vale de Cambra.
Diz-se ainda que os portugueses loiros que encontramos no norte do país, têm ascendência Celta.


A cultura Celta no imaginário popular
Quem não leu na sua infância as histórias do Asterix e Obelix? Estas histórias não são mais que a recreação da vida de uma aldeia Celta numa Gália ocupada pelos Romanos. Neste retrato encontramos tudo aquilo que existia numa tribo Celta: o Rei ou Chefe, os guerreiros, o druida, o bardo, etc.
Crê-se ainda que a história do Capuchinho Vermelho (ou Chapeuzinho Vermelho) foi criada no âmbito do druidismo Celta de forma a exemplificar o Sol (o Capuchinho Vermelho) a ser devorado pelo Lobo (a noite de inverno). Acredita-se também que as histórias do Rei Artur têm também origem neste povo.
 
 
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